terça-feira, 15 de outubro de 2013

PASSADO

Lembro-me da dor que sentia. Lembro-me tão bem que parece que a sinto de novo. Todas as noites algo me incita a recordar o que foi e já não é mais. O "som" da consciência a dar palpites enquanto o coração se afoga na mágoa. De noite reflectimos e deparamos-nos com a realidade. É de noite que fazemos uma introspecção, e por vezes declaramos guerra a nós mesmos. Difícil enterrar um passado que insiste em viver. As cicatrizes e as memórias não se apagam nem passam com o tempo. Tudo o que foi real está presente como se nunca tivesse ido embora. É relembrado como se acontecesse neste momento. As pessoas não o deixam ir embora porque pensam que uma parte delas irá ser apagada e que essa parte perderá toda a credibilidade até então. Mas permitir que esse raciocínio exista é estarmos a ser manipulados como uma criança quando lhe é oferecido um chocolate, embora elas, as crianças, vejam e digam geralmente a verdade.
A racionalização destes sentimentos e da relação que um individuo mantém com o passado é puramente inverídico, isto porque em nenhum momento podemos controlar o que já decorreu e de forma alguma devemos esquecer o que é transacto. Pois ao tentarmos esquecer o decorrido estamos a tentar esquecer a nossa identidade, o que fomos e o que nos fez chegar ao que somos hoje e onde estamos. Por vezes não devemos lamentar o que é pretérito pois cada atitude no presente constrói o nosso futuro, ou seja, o passado "presente" das nossas escolhas, quer boas ou más, unidas com o destino trouxeram-nos quiçá para onde exactamente deveríamos estar. No entanto, inconvenientemente sentimos aflição, angústia e desconsolo e eventualmente sentimos-nos um pouco desorientados e  é provável que nunca entenda-mos como é que se processam algumas emoções até as sentir-mos embora nos pareça que sabemos como senti-las.Resumidamente, sentir é algo para quem têm coragem e discernimento uma vez que aqueles que possuem estas faculdades se atiram a um precipício à espera de serem apanhados no fim do mesmo e sorte daqueles que o são.

Viver plenamente é um acto de bravura insana!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PARTIDO

As sensações são impressões que se convertem em ideias, julgamentos ou percepções. As sensações são sentimentos fortes que nos fazem chorar de alegria ou de tristeza. Quando sentimos o nosso coração estremecer é porque sentimos algo, é porque estamos vivos. Muitas vezes negamos o que sentimos e mentimos para a nós próprios, outras vezes aceitamos de bom grado o que marca o nosso coração. Na realidade fazemos reciclagem do que surge no nosso coração e mente; para uma gaveta mandamos as boas e graciosas memórias para o abismo do esquecimento mandamos as más e pavorosas ideias e ilusões. Os devaneios da mente e do coração ninguém entende mas temos de ser corajosos o suficiente para seguir aquele que achamos mais correto, se não acabamos por partir a nossa alma. Se a alma quebra dificilmente é erguida, perdemos a luz e a vontade de continuar. Andamos sem forças, somos pessoas mortas a passear um corpo. Tudo o que vivia em nós é raramente resgatado. Contudo no mundo ainda há pessoas, momentos, memórias, objectos (de carácter sentimental), sonhos e desejos porque lutar. Ainda existem forças maiores que uma alma partida, embora a alma seja algo monumental. A esperança, o amor e a força de vontade são as forças que temos de ter, é um esforço que nos é sujeito e mais importante é que estas forças são uma nova chance que nos é dada, só temos de ter "calma e ver como correm as águas"Nenhum ser humano têm consciência dos zelos dos outros e todos de alguma forma têm a sua alma partida ou  mas imensos lutaram e lutarão para que o dia seja próspero. Que sentido têm a vida se não for para ser vivida ? Ela é apenas uma; uma ocasião de fazer uma sensacional história e por isso devemos ler e deixar-nos ler só assim se escreve um história com o devido brio.

Tudo o que é partido também pode ser restaurado.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

AMOR

  Vaguear pelo mundo de alguém é tão inusitado. Mostramos o que somos, olhamos com curiosidade e medo. Andamos soltos, caminhamos devagar, dançamos agitadamente e pensamos profundamente no que iremos sentir. Então, sentimos a alegria, a tristeza, a felicidade, a angústia, a saudade, o amor,... O mais importante deles é o Amor. E ele têm qualidades e defeitos. É saudável e obeso e por isso temos antes de mais definir o que é para nós o Amor. Amor é confiança, é aceitação, é ajuda, é compreensão, é mais felicidade do que infelicidade, é altruísmo, é dar mais que receber, é querer o bem do outro independentemente de como fiquemos nós, é ouvir, é coragem, é partilhar momentos, é saber como o outro se sente, é dar-lhe espaço e privacidade, é muito mais coisas. E se calhar maior parte das coisas que enunciei não tinham sido pensadas por muitos. A relação não é controlo,  não é desconfiança,  não é insegurança, não é birras, não é incompreensão, não é discussões, não fazer de tudo para atingirmos o que queremos. Isso não é amor, isso é querer dominar o outro. E querer dominar o outro é simplesmente atroz. Não é amor é obsessão.Devemos ter em conta que, apesar da dor que muitas vezes o amor provoca quando ele é correspondido, tudo à nossa volta fica com mais cor. A felicidade é maior e não conseguimos definir nem um terço do que sentimos. O amor torna-nos fortes, faz-nos acreditar e sonhar, mantém a nossa fé e a esperança é maior do que o medo da entrega. Oferecemos o nosso coração a outrem na esperança de ele ser bem cuidado. Esperamos que Deus não nos tire aquilo que mais amamos e que faça o destino manter-nos unidos. Lutamos e rezamos para que a morte não chegue antes do previsto, pois quem perde o amor morre antes de morrer. Portanto é melhor não deixarmos de nos mover por aquilo que nos faz bem, e alimentar o que nasceu dentro de nós.

Amor é a arma mais forte que o ser humano possui.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ESCREVER

Escrever liberta-nos a alma, livra-nos do sufoco. Escrever permite-nos sonhar e dizer tudo sem sermos interrompidos. Cada vez que escrevemos pomos no papel tudo o que nos assombra e tudo o que nos dá alegria. Quando praticamos o acto da escrita, não só, através das palavras, transparece um pouco de nós, como também, as nossas vivências. Escrever, muitas vezes é um desabafo. O gosto da escrita nasce escrevendo, sentindo profundamente o que se escreve, colocar-nos susceptíveis aos bombardeamentos sentimentais que escorrem dentro de nós, escrever é ouvir os ecos por mais e mais palavras. Escrever é dar o melhor de nós e o trabalho de uma escrita má é o mesmo trabalho de uma escrita boa. Ambas as escritas foram feitas por pessoas e essas mesmas pessoas colocaram no papel as suas ideias, as suas meditações, as suas recordações, os seus desejos e os seus devaneios. É com a escrita que deixamos cair o véu e nos apresentamos indefesos, pois podemos ser adorados como criticados, contudo a entrega que aplicamos no que mais gostamos de fazer está sempre lá. Escrever transforma-nos, dá-nos segurança e mais que isso sabemos que podemos contar sempre com o papel e a caneta. Dois objectos que estão sempre lá independentemente da nossa glória ou do nosso fracasso. É com eles que produzimos as “nossas obras de arte” e fazemos transparecer o mundo que habita em nós. Escrever é para corajosos, é para aqueles que se atrevem a mostrar o que está escondido. Escrever é demonstrar que durante uns minutos podemos ser livres apenas com palavras. Escrever dá-nos asas e leva-nos por caminhos não antes conhecidos. Escrever é podermos transparecer o que realmente somos. Em suma, escrever é o melhor para mim e o melhor de mim pois faço-o de alma e coração.


Escrever é conjugar inspiração com adoração.

domingo, 21 de abril de 2013

AFECTOS

Afectos. Afecto é o que nós mostramos, através de palavras ou actos. Afectos são revelados quando queremos e como queremos. Afectos são formas de amor que poucos ou muitos utilizam. Afectos fazem de nós humanos. Nós, humanos, somos afectos ambulantes. Transportamos sentimentos na alma e no corpo. Todos nós sentimos, quer seja superficialmente ou profundamente. O que nos leva a sentir é o facto de vermos e ouvirmos, ou seja, o que percepcionamos. Apenas vemos e ouvimos o que queremos ver e ouvir, pelo menos é o que as pessoas pensam, o que é um completo erro. Nós reparamos mais no que não queremos ver e ouvimos muitas coisas que não queríamos ouvir. Assim sendo, vamos guardando os sentimentos menos bons, carecendo cada vez mais de afectos e de bons planos que contenham pelo menos algo que nós desejamos e sobre tudo planos realizáveis. Pois a vida dá-nos pontapés sem pensar duas vezes, mete-nos à prova constantemente e nós sem nos pudermos defender temos de nos moldar ao seu jeito cruel. O seu lado bom é passageiro, depressa passa. Temos de aproveitar e apanhar boleia nessa corrida, e enquanto nos aguentamos em cima desse forte touro conseguimos progredir, apenas temos de ser rápidos e fazer o que queremos velozmente. Tirar proveito de quando a vida nos dá uma oportunidade de termos o que ambicionamos. Ninguém aguenta esse "animal" durante imenso tempo e por isso nessa luta vale tudo, temos de dar o melhor de nós se queremos obter o melhor da vida.
Andamos na terra para aprender, descobrir e, com todos os trambolhões que damos, com todos os erros que cometemos e com todas as falhas para com os outros e para connosco mesmo a única esperança que nos mantém vivos é possuirmos alguém do nosso lado. Alguém verdadeiro. Alguém com quem possamos partilhar o que melhor recebemos da vida. Alguém a quem devemos dar, então, o nosso melhor. Alguém quem devemos suportar e apoiar e mais do que isso alguém com quem possamos partilhar os nossos afectos. 
Assim sendo, de afectos para afectos.


A vida é sombria quando somos tudo menos afectuosos!

terça-feira, 26 de março de 2013

MERGULHAR

O rio corre, o toque desaparece e a vontade de fugir eleva-se. É assim que muitas pessoas se sentem hoje em dia. Para elas já nada faz sentido, fugir é sempre o seu melhor caminho. Orar por vezes não alivia a sua alma pois o que elas mais precisam é de mergulhar num plano diferente. O esforço de ir mais fundo é imprescindível porque favorece e desvenda várias dúvidas. Tem de se tirar momentos para reflexão, se não encontramos trilhos tendenciosos para a mentira. Ninguém nos conhece nem mesmo nós nos conhecemos. Temos vários lados escondidos dentro de nós e raramente os conhecemos todos, aliás é muito provável que não se tenha conhecimento de todas estas facetas que possuímos, dado que elas apenas se revelam consoante a situação. E qual não é o nosso espanto quando alguma não corresponde connosco só que no entanto faz parte de nós, é o que somos. Aprofundar leva-nos a lugares sombrios, onde chorar é a palavra chave. Percebemos que pensar torna-se no nosso inimigo e por mais que lutemos este será um adversário imbatível visto que pensar é vital para todo o ser humano.  
Um novo início num lugar distante talvez seja o fim dos grandes quebra cabeças da vida. Deveríamos ter a liberdade de refrescar e renovar a nossa vida quando "enchemos o saco". Porém quando queremos muito ter certas liberdades para realizar desejos e sonhos também temos de querer a consequências que advém desses anseios. Quando estamos consumidos com estas ideias temos dificuldade em ver o que verdadeiramente está por trás, mais propriamente se tudo é um erro ou se nos iludimos de tal forma que ficamos cegos e não vemos o que temos e devemos ver. Será que algum dia a vida vai ser fácil ? Será que algum dia em vez de corrermos consoante a vida ela irá correr consoante nós e os nossos sonhos ? Um dia disseram-me que a vida nunca corre como queremos nós é que temos de correr consoante ela e no fundo a verdade é essa. Somos bonecos que semeamos, cuidamos e colhemos. Fazemos a cama em que nos deitamos e no fim os esforços, as esperanças e os erros por inocência não são esquecidos nem mesmo perdoados. Concluindo o nosso grande mentor é a mente e esta causa-nos furacões descontrolados e sem qualquer índice de paragem portanto é girar com ele até nos cansarmos.


A nossa maior força é a que mostramos menos corajosamente.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

VIVER



A vida não é um sopro do vento, não é um olhar nem mesmo uma coincidência. A vida pode ser um sopro do vento, um olhar e uma "coincidência". Acontece que não existem acasos e tudo acontece por uma razão. Não vale a pena nos lamentarmos ou até mesmo chorarmos, escolhas são escolhas e depois de tomadas não há volta a dar e muitas vezes perguntamos se foi a escolha certa. Outras vezes apenas optamos por optar nem pensamos se é aquilo que queremos mesmo. Um dia sem contemplar algo é um dia perdido, um dia sem libertarmos o que nos sufoca é um dia amargurado e um dia sem amarmos alguém é um dia em que um pedaço de nós morre. Quando penetramos o olhar em algo que nos fascina por vezes vemos pedaços da nossa vida a correrem pelos nossos olhos, a nossa memória proporciona-nos pequenas metragens pois o grande filme da nossa vida passará nos sete minutos depois da nossa morte, apesar de muitas pessoas irem morrendo pouco a pouco a cada dia que passa. Em todas as nossas opções mesmo sendo feitas de forma racional há sempre uma pontada de emocional. Nós fazemos as nossas escolhas pelo que gostamos ou não. Porque haveriam as escolhas mais importantes serem feitas apenas de forma racional? Não faz qualquer sentido, tudo o que nos fazemos e seleccionamos tem sempre algo muito pessoal visto que amamos e/ou sentimos tudo de maneira tão profunda que mesmo que algo não nos toque no fundo da alma nós sentimos sempre aquela sensação de que algo passou de repente. Devíamos empregar mais amor no que acontece na nossa vida dado que apenas vivemos uma vez, mas por vezes o amor que nós entregamos não é o suficiente e isso faz com que hajam esqueletos andantes, pessoas que vêm as outras por ver. Algo essencial que devíamos fazer era uma lista do que mais queremos executar enquanto andamos no mundo. Não devíamos perder o precioso tempo que temos porque deste modo não sentimos o que nos acontece de forma intensa. Amar intensamente, viver profundamente, sentir arduamente e não deixar que o tempo passe por nós.


Somos seres andantes num mundo racional ou emocional?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

QUESTIONAR

Figuras projectadas como se fossem reais. É assim que o nosso mundo é visto. Um mundo de cópias e imitações, um mundo vazio como uma esfera. Os humanos são brinquedos ambulantes e nos dias que correm humanos brincam com humanos, melhor dizendo almas calejadas calejam almas. A cada dia que passa o que mais se encontra ao virar da esquina são pessoas mentirosas com dupla personalidade, pessoas sem coração, pessoas que criam sofrimento e dor, pessoas que nos matam interiormente com simples actos e palavras, e esta falta de humanidade que se encontra nestes indivíduos, acontece porque nunca sentiram o seu coração aquecido ou porque um dia já o assim tiveram e a vida acabou por fazê-los ver que ela não tem apenas rosas para oferecer, aliás as rosas contêm espinhos e esses espinhos acordam-nos para a realidade.
  Quando vemos a realidade a passar na janela do carro, cria-se sempre uma nostalgia que nos envolve e absorve do meio em que estamos inseridos e de momentos, senão durante um longo tempo, ficamos ali a observar e a olhar para lá da janela e pensamos como tudo podia ser diferente se o nosso rumo tivesse sido outro. É sórdido ter esta espécie de pensamentos porém certos dias a mente incomoda-se a pensar, pensar no que se passou, no que se passa e pensar principalmente no que há-de vir, ou pior, pensar no que poderia vir se algumas escolhas não tivessem sido feitas, o que nos deixa um pouco sem pé. Andar sobre uma corda não é agradável e por isso não deveriam existir dúvidas, quando dá-mos um passo em falso e nos desequilibramos o nosso dever é tentar voltar a ficar estável mas por vezes é difícil fazer esse trabalho e acabamos por cair no chão, porque na vida as nossas escolhas não permitem para-quedas pois sem sacrifícios e sem cabeçadas não há vitórias nem aprendizagens e no fim se não obtivermos o melhor de uma queda é porque a dor desse declínio não foi tão forte assim que tocasse no que mais temos de profundo no nosso ser, os sentimentos. Um problema ou uma bênção é sentir e quando questionamos o que sentimos é porque algo está bastante errado no nosso dia-à-dia mas principalmente algo dentro de nós que não bate certo e nem tudo e nem todos conseguem fazer isso mudar. Existem instantes vividos intensamente assim como existem momentos vividos insanamente e é isso que define quem somos e o que nós realmente somos não é questionável. 

Questionar é a forma mais atilada para chegarmos ao conhecimento.