segunda-feira, 7 de julho de 2014

CORAÇÃO


O coração frágil e submisso. Partido ou consertado, mas nunca inteiro. Faz jornadas e em tempo algum se sente cansado. Ele sente tudo o que há para sentir. Ele sente o que é melhor para nós. Podemos dizer que ele é o nosso instinto, o nosso lado bom e lado mau. A maldade, geralmente, não se gera do que pensamos, mas sim do que sentimos. O antagonismo vivido por ele é coexistente, ora choramos, ora rimos, mas no fundo choramos mais do que rimos ou rimos mais do que choramos!? Ele pressente, lamenta, constata, reprime, acredita, faz tudo não fazendo nada porque não tem a noção do que faz tendo a consciência de tudo o que lhe apraz. Tão ingénuo e tão macabro. Apresenta uma visão universal e privilegiada. O coração esfria os nossos medos e tapa os nossos ouvidos e ilude os nossos olhos. O coração vê o mundo de uma maneira coloridamente fria e geladamente ardente. O coração sente, a alma dói. Quando perdemos algo que não podemos substituir e as lágrimas vão caminhando rosto abaixo? E quando rimos tanto ou sorrimos por algo que nos foi dado e que não pode ser tirado? O coração expressasse através das lágrimas e dos sorrisos. Será o coração uma alma que sente tão desconsoladamente ou que vive tão intensamente? O coração é um cego com uma visão perfeita. Ouve tão bem que o som é deveras mau. Sente o agradavelmente desagradável enquanto estima o desagradavelmente bonito. Dá informações latentes e, por isso, é uma "bomba", por outras palavras, entregasse na íntegra. É incontrolável e imortalizasse pelas suas dicotomias caracterizadoras. Todos os corações são desconhecidos e quando conhecemos um devemos preservá-lo. É um "órgão" fantástico e um baú de segredos. Uma máquina de sentir tudo e todos. É um "órgão" tão forte que consegue manter-se depois de ser desfragmentado. Dizem que o coração não é racional, mas por vezes consegue pensar melhor do que o nosso próprio cérebro. Cérebro não ganha porque não arrisca. O cérebro vive aquilo que lhe damos a viver e o coração vive aquilo que quer sem saber. talvez o cérebro seja um prolongamento do coração pois "a razão tem razões que a própria razão desconhece". O coração é uma arma que pode ser usada para o bem e para o mal nós é que devemos escolher qual o caminho seguir porque um coração perdido dificilmente é recuperável. Recuperar um coração partido é o mesmo que partir-se na reconstrução tantas ou mais vezes quanto ele foi quebrado. Como consertar um coração se não se sabe o quão está fragmentado?


Coração significa casa para alguns e deserto para outros!