Escrever
liberta-nos a alma, livra-nos do sufoco. Escrever permite-nos sonhar e dizer
tudo sem sermos interrompidos. Cada vez que escrevemos pomos no papel tudo o
que nos assombra e tudo o que nos dá alegria. Quando praticamos o acto da
escrita, não só, através das palavras, transparece um pouco de nós, como
também, as nossas vivências. Escrever, muitas vezes é um desabafo. O gosto da
escrita nasce escrevendo, sentindo profundamente o que se escreve, colocar-nos susceptíveis aos bombardeamentos sentimentais que escorrem dentro de nós,
escrever é ouvir os ecos por mais e mais palavras. Escrever é dar o melhor de
nós e o trabalho de uma escrita má é o mesmo trabalho de uma escrita boa. Ambas
as escritas foram feitas por pessoas e essas mesmas pessoas colocaram no papel
as suas ideias, as suas meditações, as suas recordações, os seus desejos e os
seus devaneios. É com a escrita que deixamos cair o véu e nos apresentamos
indefesos, pois podemos ser adorados como criticados, contudo a entrega que
aplicamos no que mais gostamos de fazer está sempre lá. Escrever transforma-nos, dá-nos segurança e
mais que isso sabemos que podemos contar sempre com o papel e a caneta. Dois
objectos que estão sempre lá independentemente da nossa glória ou do nosso
fracasso. É com eles que produzimos as “nossas obras de arte” e fazemos
transparecer o mundo que habita em nós. Escrever é para corajosos, é para
aqueles que se atrevem a mostrar o que está escondido. Escrever é demonstrar
que durante uns minutos podemos ser livres apenas com palavras. Escrever dá-nos
asas e leva-nos por caminhos não antes conhecidos. Escrever é podermos
transparecer o que realmente somos. Em suma, escrever é o melhor para mim e o
melhor de mim pois faço-o de alma e coração.
Escrever é conjugar inspiração com adoração.